Conta-me histórias: ... Do presente: Passeando pelas memórias.
Há memórias que sempre farão parte da nossa vida, da nossa história.
Há memórias intemporais, onde a idade é apenas um risco no calendário.
De memória em memória vamos construindo um monumento histórico dentro de nós de um valor incalculável.
Todos temos dias em que recuamos no tempo pela saudade de pequenas coisas ditas de "nada" e na grandeza desses "pequenos nadas" apagam-se lágrimas demasiado salgadas e um sorriso inesperado nasce-nos no rosto, mesmo sem ter sido convidado.
"- Naquele tempo era feliz e sabia e na consciência desse estado vivi o melhor que consegui."
Hoje, passeando pelas memórias, que levo comigo para onde quer que vá, dou por mim com um sorriso que varia entre os 8 e os 18 anos.
Não fosse um espelho (traiçoeiro mas fiel) que aqui do meu lado esquerdo insiste em reflectir uma senhora mais crescida e acharia que recuei na história da minha vida.
Sinto-me tentada em deitar-lhe a língua de fora (à senhora que o espelho reflecte) mas alguma educação adquirida aconselham-me contenção; no meio do sorriso coloco um pouco de juízo e recolho a dita cuja, que já estava na saída dos lábios, pronta para me desafiar.
Parece resultar!
"-Linda menina!" - elogio mentalmente.
"- Parva!" - diz a vozinha de uma criança de oito anos que nunca se apagou em mim e mantenho bem preservada.
Alguns olhares interrogativos fixam-me como se tivesse a palavra "maluca" escrita na testa.
Faço-lhes um sorriso formal e tento parecer mais de acordo com o dito "normal".
Ouço a criança rir dentro de mim.
"- Mas que bem comportada!" - parece que a oiço dizer.
Apetece-me responder-lhe:
"- A vida é que cresceu, não fui eu, mas se eu tentar explicar aos ditos "normais" deste mundo semelhante disparate vou ser "crucificada" e não me deixam viver mais nada. Tento na língua menina traquina, preciso de arrecadar mais umas memórias no baú da minha história."
Tentando colocar alguma sintonia entre o exterior e o interior visto-me de serenidade, coloco calma no coração e exibo uma expressão de senhora crescida coberta de razão.
Há memórias que sempre farão parte da nossa vida, da nossa história.
By Maria José Lacerda
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Estou a fazer os possíveis, pouco a pouco, para conseguir recuperar poemas e narrativas deixados escritos pela minha mãe, onde estão memórias que fazem parte da minha vida, da minha história.
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Desejo-vos uma óptima sexta-feira e.... por favor sejam felizes. Riam, brinquem, conversem, partilhem e amem! :)
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